Este é o silêncio em que me afogo.
Em mais uma noite passada em branco.
(morri)
quinta-feira, dezembro 29, 2005
terça-feira, dezembro 27, 2005
This is not a happy moment
Esta é a fábrica abandonada em que tanto gosto de me imaginar.
Pertenço aos gritos, saltos, quedas e risos.
Não aqui.
Quero este universo.
Pertenço aos gritos, saltos, quedas e risos.
Não aqui.
Quero este universo.
segunda-feira, dezembro 19, 2005
Angústia
As palavras fogem da minha mente para dar lugar a mais um conflito de pensamentos que acabam sempre por me destruir mais um pouco.
Sinto-me incapaz de fazer sentido. É só mais uma vez que perdi o controlo de mim mesmo. Perdi de tal maneira que, mais uma vez, sozinho neste quarto, ouço em mim a minha voz aos gritos, enlouquecida e desesperada. Faltam lágrimas de verdade que não escorrem. Lágrimas ausentes que aumentam ainda mais a tensão pronta a explodir a qualquer momento à medida que vou gritando dentro de mim.
Mais uma vez, estou aqui, neste quarto que já me viu de tantas formas mas que apenas me conhece desta, doente dos olhos. O desespero supera-se a si mesmo e sinto-o de tal forma que a minha vontade é não me ter, mesmo que no fundo, esteja na verdade perdido. Incapaz de imaginar mais uma noite nesta situação que desgasta, destrói, me apaga e me mata e de me consciencializar de tudo o que por mim passou, sinto-me preso em mim mesmo. Perco a vontade que subitamente possa ter ganho de gritar quando me recordo que vivo rodeado de paredes surdas.
Estou sozinho.
Sinto a angústia de quem pegou num telefone e telefonou vezes sem conta à felicidade sem que uma chamada fosse atendida, fazendo que cada segundo em espera fosse uma eternidade dolorosa, até que depois de tanto desespero sentido, em mais uma vez que a mão tremendo marca os dígitos, descobrimos que desligou o telefone para não ouvir esta chamada recheada de uma amargura assustadora.
Estou tão sozinho.
Gostava que fosse um pesadelo. Mas esta sensação nunca acaba a menos que, contra a vontade, adormeça. No dia seguinte, custa o acordar de uma mente que lentamente se apercebe da situação em que vive. Este enorme peso que faz querer dormir mais um pouco. Mas esta noite não se dorme. Morre-se.
Morre-se pela vida que se perdeu, pelas palavras que nunca foram ditas que doeram tanto, pelo desespero de alguém que ficou guardado por aí.
Não me sinto são e quero gritar com todas as forças que tenho em mim até cair no chão e por fim chorar. Quero largar esta carga emocional que me prende em mim mesmo. Por tudo aquilo que fiz e não fiz. Por tudo aquilo que sou e nunca fui. Eu. Mereço o esquecimento. Tive-o. E neste momento, o mundo vive-se sem mim. Eu choro fechado em mim mesmo pelo ódio por mim. Raiva! Quero bater com a cabeça na parede até que doa demais para pensar! Quero-me fora de mim! Quero conseguir chorar!
Estou tão sozinho, que aqui sentado, sem mover o olhar sinto um turbilhão de emoções que me desgasta psicologicamente. Sinto-me cansado de mim mesmo.
Não quero mais isto! Estou neste canto, onde a música parou de embalar e o sorriso se perdeu com o tempo. Estou preso a estes dias desperdiçados na dor da solidão, do sol que teima em aparecer e fugir lentamente, como uma tortura para quem vê o tempo passar para nunca mais voltar. Perdi a vontade de viver algures. E com ela a vontade de a procurar. Não quero sentir mais um dia de novo. Apenas serve para me lembrar que não existe nada para além da existência de um corpo que se desgasta à medida que se relembra de quando tentou viver.
Estou usado. Acabado. Morto. Sinto-me dispensável de um mundo a que outrora tive direito. Hoje esse mundo virou as costas. Deixei lá tudo o que era meu e fiquei aqui, fechado, num destino que alguém, mesmo gostando de pensar que não, me ofereceu. Sou mais um adolescente que pensa que lhe acabou a vida na angústia do que é viver.
Não… Não sou. Eu fui alguém. E hoje, sou o primeiro louco a saber que perdeu a sanidade.
Sinto-me incapaz de fazer sentido. É só mais uma vez que perdi o controlo de mim mesmo. Perdi de tal maneira que, mais uma vez, sozinho neste quarto, ouço em mim a minha voz aos gritos, enlouquecida e desesperada. Faltam lágrimas de verdade que não escorrem. Lágrimas ausentes que aumentam ainda mais a tensão pronta a explodir a qualquer momento à medida que vou gritando dentro de mim.
Mais uma vez, estou aqui, neste quarto que já me viu de tantas formas mas que apenas me conhece desta, doente dos olhos. O desespero supera-se a si mesmo e sinto-o de tal forma que a minha vontade é não me ter, mesmo que no fundo, esteja na verdade perdido. Incapaz de imaginar mais uma noite nesta situação que desgasta, destrói, me apaga e me mata e de me consciencializar de tudo o que por mim passou, sinto-me preso em mim mesmo. Perco a vontade que subitamente possa ter ganho de gritar quando me recordo que vivo rodeado de paredes surdas.
Estou sozinho.
Sinto a angústia de quem pegou num telefone e telefonou vezes sem conta à felicidade sem que uma chamada fosse atendida, fazendo que cada segundo em espera fosse uma eternidade dolorosa, até que depois de tanto desespero sentido, em mais uma vez que a mão tremendo marca os dígitos, descobrimos que desligou o telefone para não ouvir esta chamada recheada de uma amargura assustadora.
Estou tão sozinho.
Gostava que fosse um pesadelo. Mas esta sensação nunca acaba a menos que, contra a vontade, adormeça. No dia seguinte, custa o acordar de uma mente que lentamente se apercebe da situação em que vive. Este enorme peso que faz querer dormir mais um pouco. Mas esta noite não se dorme. Morre-se.
Morre-se pela vida que se perdeu, pelas palavras que nunca foram ditas que doeram tanto, pelo desespero de alguém que ficou guardado por aí.
Não me sinto são e quero gritar com todas as forças que tenho em mim até cair no chão e por fim chorar. Quero largar esta carga emocional que me prende em mim mesmo. Por tudo aquilo que fiz e não fiz. Por tudo aquilo que sou e nunca fui. Eu. Mereço o esquecimento. Tive-o. E neste momento, o mundo vive-se sem mim. Eu choro fechado em mim mesmo pelo ódio por mim. Raiva! Quero bater com a cabeça na parede até que doa demais para pensar! Quero-me fora de mim! Quero conseguir chorar!
Estou tão sozinho, que aqui sentado, sem mover o olhar sinto um turbilhão de emoções que me desgasta psicologicamente. Sinto-me cansado de mim mesmo.
Não quero mais isto! Estou neste canto, onde a música parou de embalar e o sorriso se perdeu com o tempo. Estou preso a estes dias desperdiçados na dor da solidão, do sol que teima em aparecer e fugir lentamente, como uma tortura para quem vê o tempo passar para nunca mais voltar. Perdi a vontade de viver algures. E com ela a vontade de a procurar. Não quero sentir mais um dia de novo. Apenas serve para me lembrar que não existe nada para além da existência de um corpo que se desgasta à medida que se relembra de quando tentou viver.
Estou usado. Acabado. Morto. Sinto-me dispensável de um mundo a que outrora tive direito. Hoje esse mundo virou as costas. Deixei lá tudo o que era meu e fiquei aqui, fechado, num destino que alguém, mesmo gostando de pensar que não, me ofereceu. Sou mais um adolescente que pensa que lhe acabou a vida na angústia do que é viver.
Não… Não sou. Eu fui alguém. E hoje, sou o primeiro louco a saber que perdeu a sanidade.
quinta-feira, dezembro 15, 2005
Guardei-me na gaveta para nunca mais sair
Quero desaparecer.
Sentir a minha existência dispersar-se no ar para me libertar de mim mesmo, perder esta alma suja e gasta, que chora e dói a cada momento que me procuro em mim mesmo. Quero parar de me consumir a mim mesmo porque me acabei e enlouqueci. Silenciar os pequenos murmúrios que me amarguram nesta serenidade que mata.
Sou um fio de fumo, leve e suave, de um cigarro que se acabou e se espalhou.
Perdi-me.
Quero-me drogar. Para nunca mais pensar, sentir ou viver. Não me quero! Quero fugir deste mundo que nada me traz a não ser a dor de ser quem sou. Quero cair e adormecer. Não para sonhar mas para me apagar. Quero parar esta lamentação.
Gritar. Partir. Alucinado.
Não tenho vida.
Dói. Pesa-me.
Quero vomitar. Cuspir esta bola de emoções que matam. Quero-me vomitar.
Não quero nada.
Eu nunca quis nada.
Sentir a minha existência dispersar-se no ar para me libertar de mim mesmo, perder esta alma suja e gasta, que chora e dói a cada momento que me procuro em mim mesmo. Quero parar de me consumir a mim mesmo porque me acabei e enlouqueci. Silenciar os pequenos murmúrios que me amarguram nesta serenidade que mata.
Sou um fio de fumo, leve e suave, de um cigarro que se acabou e se espalhou.
Perdi-me.
Quero-me drogar. Para nunca mais pensar, sentir ou viver. Não me quero! Quero fugir deste mundo que nada me traz a não ser a dor de ser quem sou. Quero cair e adormecer. Não para sonhar mas para me apagar. Quero parar esta lamentação.
Gritar. Partir. Alucinado.
Não tenho vida.
Dói. Pesa-me.
Quero vomitar. Cuspir esta bola de emoções que matam. Quero-me vomitar.
Não quero nada.
Eu nunca quis nada.
domingo, dezembro 11, 2005
Capitão Romance
Não vou procurar quem espero:
Se o que eu quero é navegar!
Pelo tamanho das ondas
Conto não voltar.
Parto rumo à primavera,
Que em meu fundo se escondeu!
Esqueço tudo do que eu sou capaz:
Hoje o mar sou eu...
Esperam-me ondas que persistem,
Nunca param de bater!
Esperam-me homens que desistem,
Antes de morrer!
Por querer mais do que a vida,
Sou a sombra do que eu sou.
E ao fim não toquei em nada,
Do que em mim tocou.
Eu vi,
Mas não agarrei...
Parto rumo à maravilha,
Rumo à dor que houver pra vir.
Se eu encontrar uma ilha,
Paro pra sentir!
Dar sentido à viagem,
Pra sentir que eu sou capaz!
Se o meu peito diz coragem,
Volto a partir em paz.
Eu vi,
Mas não agarrei...
Se o que eu quero é navegar!
Pelo tamanho das ondas
Conto não voltar.
Parto rumo à primavera,
Que em meu fundo se escondeu!
Esqueço tudo do que eu sou capaz:
Hoje o mar sou eu...
Esperam-me ondas que persistem,
Nunca param de bater!
Esperam-me homens que desistem,
Antes de morrer!
Por querer mais do que a vida,
Sou a sombra do que eu sou.
E ao fim não toquei em nada,
Do que em mim tocou.
Eu vi,
Mas não agarrei...
Parto rumo à maravilha,
Rumo à dor que houver pra vir.
Se eu encontrar uma ilha,
Paro pra sentir!
Dar sentido à viagem,
Pra sentir que eu sou capaz!
Se o meu peito diz coragem,
Volto a partir em paz.
Eu vi,
Mas não agarrei...
quinta-feira, dezembro 08, 2005
O sonho quebrado
Parte-se todos os dias à medida que a realidade me rodeia.
Sem qualquer tipo de ruído que possa incomodar quem me cerca ou quem penso me seguram do buraco que me conduz à perdição absoluta. Talvez seja por isso que ninguém repare. Porque os olhos continuam a pestanejar, as pernas a caminhar, as palavras a serem ditas e os cigarros a serem fumados. Mas tudo isso já não é feito com vontade, ou nem tanta como possam pensar.
A vida desaparece e dá lugar à simples continuidade do tempo. A paixão de viver foge e com ela tudo em mim permanece dolorosamente inalcançável.
Se calhar penso muito que não tem razão de ser. Mas não há nada que impeça alguém de o fazer. Talvez inteligência e um pouco de optimismo. E para isso preciso de me refazer do principio e esquecer a infinidade de mim mesmo em que me perco.
É uma doença que me consome silenciosamente. Como um veneno, um perfume inalado que rouba as certezas. E quando não há mais nada para roubar. Caio e descanso.
Quando não há mais nada para roubar, quando até o conforto foi levado, caio e morro só mais desta vez.
Cá no fundo dói.
Dói o coração.
Ninguém lê as entrelinhas.
Ninguém ouve.
Sem qualquer tipo de ruído que possa incomodar quem me cerca ou quem penso me seguram do buraco que me conduz à perdição absoluta. Talvez seja por isso que ninguém repare. Porque os olhos continuam a pestanejar, as pernas a caminhar, as palavras a serem ditas e os cigarros a serem fumados. Mas tudo isso já não é feito com vontade, ou nem tanta como possam pensar.
A vida desaparece e dá lugar à simples continuidade do tempo. A paixão de viver foge e com ela tudo em mim permanece dolorosamente inalcançável.
Se calhar penso muito que não tem razão de ser. Mas não há nada que impeça alguém de o fazer. Talvez inteligência e um pouco de optimismo. E para isso preciso de me refazer do principio e esquecer a infinidade de mim mesmo em que me perco.
É uma doença que me consome silenciosamente. Como um veneno, um perfume inalado que rouba as certezas. E quando não há mais nada para roubar. Caio e descanso.
Quando não há mais nada para roubar, quando até o conforto foi levado, caio e morro só mais desta vez.
Cá no fundo dói.
Dói o coração.
Ninguém lê as entrelinhas.
Ninguém ouve.
segunda-feira, novembro 28, 2005
Aqui dentro não existe nada
Já nada me sustenta ou alenta a não ser o vazio que me preenche dele mesmo.
Estas palavras que escrevo, que aos poucos vão criando estas pequenas frases, são os olhos de quem não se encontra, que quem em si se perdeu. Os olhos que numa angústia tão calma e ao mesmo tempo tão cruel, procuram o que nunca encontram. Nas minhas palavras e nos meus gestos, nos meus murmúrios e nos meus olhares está presente um turbilhão de emoções que se libertam numa tranquilidade inquietante, numa calma que dói demais.
Se encosto a cabeça para trás, nesta parede fria e me tento sentir a mim mesmo, não encontro nada a não ser uma respiração calma e um pensamento adormecido, que ao acordar apercebe-se do vazio que existe, da dor que cresce à medida que me apercebo do que não sou ou de quem sou.
Sinto o mundo a girar e consigo imaginar tudo à minha volta a viver. É como se conseguisse visualizar as pessoas apressadas na correria do dia-a-dia, como se conseguisse ver o sol, ouvir o ambiente diurno de uma cidade, o vento que percorre as folhas de uma árvore e até o chilrear de um pássaro. Ou então noutra zona do globo, sentir uma noite fria, chuvosa, observando as luzes das cidades que iluminam as ruas alcatroadas àquela hora abandonadas. Imagino as pessoas a sorrir e a chorar, a pensar ou mesmo a dormir. Até uma simples espera por um autocarro. É como se conseguisse visualizar tudo, imaginar tudo isso acontecer à minha volta enquanto sinto a lenta rotação do nosso planeta.
Aqui dentro não existe nada. Apenas o tempo que passa e não volta mais. Julgo-me doido pela consciência que tenho e por nada conseguir mudar, talvez seja esta a maneira que vidas como a minha funcionam. E julgo-me louco por me sentir tão sozinho, num mundo de gente que não conheço, mas que sinto que já os conheci a todos.
Já deixei passar muitos anos sem saber o que fazer, mas é nestes momentos em que me apercebo que não sei o que quero, ou então não quero nada. Não sei o que faço aqui. Só me perco mais um pouco quando aqui sozinho, entre um silêncio incómodo, me apercebo de uma angústia que cresce à medida que o meu pensamento se explora. Se um dia me olharam nos olhos desviaram a tempo para se aperceberem de tudo aquilo que ninguém desconfia.
Como já disse, aqui dentro, não existe nada.
Estas palavras que escrevo, que aos poucos vão criando estas pequenas frases, são os olhos de quem não se encontra, que quem em si se perdeu. Os olhos que numa angústia tão calma e ao mesmo tempo tão cruel, procuram o que nunca encontram. Nas minhas palavras e nos meus gestos, nos meus murmúrios e nos meus olhares está presente um turbilhão de emoções que se libertam numa tranquilidade inquietante, numa calma que dói demais.
Se encosto a cabeça para trás, nesta parede fria e me tento sentir a mim mesmo, não encontro nada a não ser uma respiração calma e um pensamento adormecido, que ao acordar apercebe-se do vazio que existe, da dor que cresce à medida que me apercebo do que não sou ou de quem sou.
Sinto o mundo a girar e consigo imaginar tudo à minha volta a viver. É como se conseguisse visualizar as pessoas apressadas na correria do dia-a-dia, como se conseguisse ver o sol, ouvir o ambiente diurno de uma cidade, o vento que percorre as folhas de uma árvore e até o chilrear de um pássaro. Ou então noutra zona do globo, sentir uma noite fria, chuvosa, observando as luzes das cidades que iluminam as ruas alcatroadas àquela hora abandonadas. Imagino as pessoas a sorrir e a chorar, a pensar ou mesmo a dormir. Até uma simples espera por um autocarro. É como se conseguisse visualizar tudo, imaginar tudo isso acontecer à minha volta enquanto sinto a lenta rotação do nosso planeta.
Aqui dentro não existe nada. Apenas o tempo que passa e não volta mais. Julgo-me doido pela consciência que tenho e por nada conseguir mudar, talvez seja esta a maneira que vidas como a minha funcionam. E julgo-me louco por me sentir tão sozinho, num mundo de gente que não conheço, mas que sinto que já os conheci a todos.
Já deixei passar muitos anos sem saber o que fazer, mas é nestes momentos em que me apercebo que não sei o que quero, ou então não quero nada. Não sei o que faço aqui. Só me perco mais um pouco quando aqui sozinho, entre um silêncio incómodo, me apercebo de uma angústia que cresce à medida que o meu pensamento se explora. Se um dia me olharam nos olhos desviaram a tempo para se aperceberem de tudo aquilo que ninguém desconfia.
Como já disse, aqui dentro, não existe nada.
domingo, novembro 13, 2005
não é nada
Nestas palavras encontra-se uma lágrima salgada, que entre um rosto que estremecia de emoção se perdeu. É só.
quinta-feira, outubro 27, 2005
Viver um poema
Numa noite de Inverno abro portas ao meu inconsciente e aos seus desejos.Nele encontro toda a vontade de viver nos locais que não conheço, mas que visito todas as vezes que meus olhos descansam. Locais enevoados, sombrios, que escondem o conforto que não encontro, teimam em aparecer dentro de mim, como se a aventura fosse minha amiga e por mim chamasse.
Neste quarto, enquanto a névoa que lá fora se formou entre os pinheiros vistos desta janela, viajo mais uma vez por locais surpreendentemente meus. Caminho entre o silêncio da noite e a beleza tristonha da solidão.
Onde a melancolia traz o conforto que mais nenhum prazer é capaz. Nessas noites silenciosas e tristes, vivem-se poemas, admirando o nevoeiro que me cerca e as luzes amareladas das ruas que não conseguem chegar ás pequenas quelhas. O silêncio diz tanto que não existe palavra que diga o que ele diz. E nele está o chamamento, o sentimento, que por mim chama, a vontade, o desejo, de morrer para a chamada vida e viver para o que ninguém entende.
Caminhar na calçada da noite, abraçando a bruma, sentindo o seu sabor. Saborear a vida que ninguém vive, provar o desejo que me consome pelo tempo que teima em passar, sabendo que morro um pouco mais todos os dias.
E saber que aqui morro, enquanto que no local que o sono traz vivo, apago-me mais um pouco. E ela por mim mais uma vez chama, a aventura de por este quarto sair, sem destino ou rumo pensado. Desejando somente o conforto que existe nos momentos em que todos se afastam, abrindo o caminho para uma liberdade surreal.
Murmuram-se mais umas palavras, num sorriso que se esconde no frio que se sente. E caminha-se na rua escura que tanto me diz, de cigarro aceso procurando aquilo que ainda não encontrei. Visito ruas que nunca conheci cruzando-me com quem procura o mesmo que eu. Talvez um dia viajemos para toda a parte, no conforto que procurámos no vazio. E tropecemos, rindo, em estações de comboio pela madrugada, visitando mais uma cidade deserta que abençoa o que em nós existe, mesmo que seja um vazio existencial.
Entretanto, neste sonho, deito-me em bancos de jardim enquanto os carros ao longe passam e as estrelas lentamente o céu rasgam. Sento-me em passeios e observo tudo aquilo que sempre quis.
Nessas noites sombrias, nesse silêncio que tanto diz, vive-se o poema que hoje escrevo.
quinta-feira, outubro 20, 2005
The untold story
Tenho saudades dos tempos que passaram.Além de ter vivido de uma forma pouco ortodoxa, para não dizer que passava os meus dias odiando tudo em meu redor, quando penso em tudo o que era (ou não era) sou invadido por uma tristeza criada pelo tempo. Sinto uma nostalgia capaz de me fazer acreditar que recuei no tempo, talvez pela vontade de voltar atrás, e a única maneira de descobrir que vivo num tempo diferente é levantar a cabeça da almofada e lembrar-me de quem eu sou hoje.
No passado sentia uma espécie de conforto na melancolia que me preenchia, capaz de me fazer sobreviver até o dia seguinte, talvez porque através dessa melancolia criava-se um pequeno canto só meu, que me fazia resistir perante tudo aquilo que observava à minha volta. Nesse tempo estava afastado de tudo e de todos, ninguém se sentia capaz de beijar ou amar, mas existia quem me compreendia, talvez vendo-me como uma pessoa que nunca cheguei a ser. Ofereciam palavras de conforto ou de coragem e o tempo ia passando. Hoje que recuo no tempo, vejo que ainda era bastante ingénuo, muito puro e natural, talvez derivasse daí a companhia que sentia e a minha revolta sobre todos os assuntos que me perturbavam capazes de me confortar no meu dia a dia que era um completo desperdício de tempo.
Sinto saudades da ingenuidade que não sei como, perdi. Porque hoje sou apenas mais um corpo com opiniões, ideias e sentimentos que todos já sabem, já viram e já viveram. Sinto-me fora de tempo. Como uma música que aos poucos foi perdendo a emoção de quem a ouve, porque o músico perdeu-se entre as notas e apenas continua porque não sabe o que fazer.
Gostava de me sentir num mundo só meu, mas hoje sinto-me tão velho que já não encontro a minha juventude. Não sinto ao ponto de me refugiar em recordações de tempos que hoje são capazes de assombrar o futuro. Tempos que quando vividos não era dado o seu devido valor. Porque hoje que olho para trás, mesmo que se pensava não viver, estava-se a viver uma vida diferente das outras. Hoje, já não existe chama.
Lamento, com um olhar fixo no chão, ao me aperceber que já não escrevo sobre o meu lado efeminado, sobre as conclusões que o meu olhar retira do mundo que me rodeia, sobre as músicas que têm vindo a ser ouvidas neste quarto. Porque agora também já não existe ninguém para me ouvir, todas as pessoas foram embora, seguiram o seu rumo. Estou mais sozinho do que um dia possa ter pensado que pudesse estar, porque já muito por mim passou e nada permaneceu. Tudo cresceu e floriu enquanto que eu sentei e morri. Não sou metade do que era.
Já não sei quem sou, que faço ou pretendo. É o que mais magoa. Não sei o que é feito de mim, porque me perdi no tempo que por mim passou. Apaguei a minha própria existência e tudo o que resta de mim, encontra-se espalhado no passado.
Destruí tudo o que um dia fui ou estava a construir, a pessoa dentro de mim fugiu e com ela toda a emoção de viver. Destruí toda a minha percepção e capacidade de avaliar o mundo, toda a minha empatia, toda a minha mente desperta e passivamente rebelde, desapareceu, morreu, esvaneceu.
E como tudo em mim que morreu, morri também para quem outrora fui alguém, mesmo qualquer pessoa que pouco me conhecia mas me achava merecedor de um sorriso. Tudo fugiu, que a cumplicidade criada, o conforto que era sentido, as palavras que eram dirigidas, os sentimentos que por todos eram partilhados, aquele mundo que se criou num pequeno grupo, parece uma realidade que nunca existiu a não ser num sonho distante.
O meu cabelo loiro cresceu pelo ombro, o rosto desenvolveu e emagreceu, fazendo com que a pele juvenil agora se maltrate com barba e os poros estejam imunes da pureza outrora característica. O olhar tornou-se mais distante e o sorriso foi desaparecendo entre a leve cortina que o tempo fechou. Hoje sou quem um dia nunca pensei a vir a ser, e por isso, lamento e morro mais uma vez.
sexta-feira, outubro 14, 2005
Walking cliché
Gostava de ser poeta para mentir por um pouco. Mas sinto, demais.
Já não me recordo do dia em que me lembrei de mim mesmo pela primeira vez. Gostava de nascer novamente para reaprender todas as pequenas coisas da vida.
Gostava de sonhar em viver um sonho novamente, algo que me libertasse e me desse a força para viver o que pretendia. Mas neste mundo em que vivo, os sonhos chamam-se ilusões e as ilusões são para quem as quer. Mantenho-me fiel à realidade e procuro magia numa rua deserta e escura. Que me chame e me dê o conforto de uma maneira que nada mais me possa dar. Procuro magia em noites sossegadas, numa cidade de pedra ainda por descobrir, recheada de pequenas quelhas antigas e candeeiros de petróleo.
Tudo o que se possa viver num mundo que é vivido pelas pessoas que na rua passam, nada mais passa de uma ilusão, de uma complexa mistura de sonhos pessoais que se enredam e se quebram. Talvez seja por isso que todos sejam tão cruéis, pelos múltiplos sonhos que já perderam. Talvez seja por isso que todos se vistam de cinzento, pela dor que já sentiram. Talvez.
Já não chega acordar e sentir um dia solarengo, porque será um igual a todos os outros. E à medida que cada dia chega, apenas consegue trazer a dor do dia anterior. Já aprendi todas as pequenas coisas que me deviam encantar por pertencer a este mundo, mas tudo o que sinto é um vazio por saber que não há nada que não mude. Todas as memórias que possa ter tido da infância transformam-se hoje em cinza de um passado ingénuo. Desde que aprendi que o coração serve para bombear sangue, nada me fascina. Ou até que o sol e a lua não são namorados mas estrelas e satélites, que os desejos são apenas ambições e a nossa vida afinal não é o que esperávamos, nada mais me fascina.
Todas as memórias me trazem a vontade de não ser, querer, ter e crer.
Por isso procuro algo por encontrar, apenas eu e todos aqueles que me procuram, sem destino ou vontade de voltar a ser o que não eram. Com o simples conforto em viver nas noites que ninguém entende, nos locais que durante o dia dormem e durante a noite, com o seu nevoeiro que se perde na escuridão, transmitem a magia que ninguém sentiu.
Porque tudo o resto é uma ilusão sem fim.
Mas se encontrar o que ainda não conheço, completará o vazio que sou.
Já não me recordo do dia em que me lembrei de mim mesmo pela primeira vez. Gostava de nascer novamente para reaprender todas as pequenas coisas da vida.
Gostava de sonhar em viver um sonho novamente, algo que me libertasse e me desse a força para viver o que pretendia. Mas neste mundo em que vivo, os sonhos chamam-se ilusões e as ilusões são para quem as quer. Mantenho-me fiel à realidade e procuro magia numa rua deserta e escura. Que me chame e me dê o conforto de uma maneira que nada mais me possa dar. Procuro magia em noites sossegadas, numa cidade de pedra ainda por descobrir, recheada de pequenas quelhas antigas e candeeiros de petróleo.
Tudo o que se possa viver num mundo que é vivido pelas pessoas que na rua passam, nada mais passa de uma ilusão, de uma complexa mistura de sonhos pessoais que se enredam e se quebram. Talvez seja por isso que todos sejam tão cruéis, pelos múltiplos sonhos que já perderam. Talvez seja por isso que todos se vistam de cinzento, pela dor que já sentiram. Talvez.
Já não chega acordar e sentir um dia solarengo, porque será um igual a todos os outros. E à medida que cada dia chega, apenas consegue trazer a dor do dia anterior. Já aprendi todas as pequenas coisas que me deviam encantar por pertencer a este mundo, mas tudo o que sinto é um vazio por saber que não há nada que não mude. Todas as memórias que possa ter tido da infância transformam-se hoje em cinza de um passado ingénuo. Desde que aprendi que o coração serve para bombear sangue, nada me fascina. Ou até que o sol e a lua não são namorados mas estrelas e satélites, que os desejos são apenas ambições e a nossa vida afinal não é o que esperávamos, nada mais me fascina.
Todas as memórias me trazem a vontade de não ser, querer, ter e crer.
Por isso procuro algo por encontrar, apenas eu e todos aqueles que me procuram, sem destino ou vontade de voltar a ser o que não eram. Com o simples conforto em viver nas noites que ninguém entende, nos locais que durante o dia dormem e durante a noite, com o seu nevoeiro que se perde na escuridão, transmitem a magia que ninguém sentiu.
Porque tudo o resto é uma ilusão sem fim.
Mas se encontrar o que ainda não conheço, completará o vazio que sou.
terça-feira, outubro 11, 2005
Smells the taste of all we waste
From rape to right in, too real to live
should I lie down or stand up
And walk around again?
My eyes finally wide open up
My eyes finally wide open shut
I finally found the sound
That heals the touch of my tears
Smells the taste of all we waste
Could feed the others
But we smother each other
With the nectar and pucker the sour
Of bittersweet weather
It blows through our trees
Swims through our seas
Flies through the last gasp we left on this earth
It's a long lonely journey from death to birth
Should I die again?
Should I die around the pounds of matter wailing through space?
I know I'll never know until I come face to face
With my own cold, dead face
with my own wooden case
Estou farto de me repetir.
Como se as minhas palavras não tivessem significado. Como se fossem apenas murmúrios que o vento leva enquanto caminho. Meras palavras sem valor.
Sinto-me um peão mas dentro de mim existo. Sei que não me ouvem e que não me vêem e que apenas eu me conheço e sinto. É a única certeza que tenho, mesmo que não me agrade. Sei que poderia dizer e fazer muita coisa, mas à primeira vista nada teria significado ou então seria entendido da forma que cada um pretende entender. Porque toda a vida foi assim.
Tudo se agrava sem razão aparente. Sente-se apenas um crescendo de emoções tão intensas que chegam a sufocar. Emoções que me rasgam por dentro, que me consomem dia e noite mesmo quando parecem prestes a adormecer. A apatia é quebrada por uma onda de sentimentos que me afoga diariamente e me ameaça implodir. Até conforto apático me escapa.
Restam pequenos murmúrios que revelam a dor de uma criatura que já não vive. Murmúrios que se tornaram tão comuns que hoje são tomados como apenas simples murmúrios. Quando são tudo aquilo que sou e sinto. Quando são a mágoa e a apatia. Por tudo aquilo que meus olhos assistiram e que meu ser sentiu. Por uma voz que se silenciou, um olhar que morreu, um sorriso que desapareceu, uma vida que se perdeu.
Desde que perdi a inocência até hoje, fui perdendo tudo.
Tudo esvaneceu e doeu. Ainda dói quando nos apercebemos disso. Quando reparamos no que tivemos. Do ser que fomos e (não) somos. Das vezes que dissemos que não podia piorar mais. Mas existe sempre mais uma maneira.
E resta também a solidão. Presente nas pequenas pedras da calçada numa noite chuvosa, nas folhas que o vento nas árvores agita. Presente numa cidade cinzenta que tanto confortava como magoava. Resta a solidão que me envolve, que numa noite chuvosa naquele lugar mágico, mantinha-me imóvel, por choque ou pânico do que me apercebia naquele momento que já nem me confortava. Numa vontade de abandonar tudo o que conheço, sinto-me preso naqueles longos segundos, o cigarro sozinho se vai queimando e com o olhar morto no chão o peso no peito aumenta à medida que a chuva cai. Por tudo aquilo que não somos e não temos.
Como um amigo meu gostava de me cantar, a vida é sempre a perder.
should I lie down or stand up
And walk around again?
My eyes finally wide open up
My eyes finally wide open shut
I finally found the sound
That heals the touch of my tears
Smells the taste of all we waste
Could feed the others
But we smother each other
With the nectar and pucker the sour
Of bittersweet weather
It blows through our trees
Swims through our seas
Flies through the last gasp we left on this earth
It's a long lonely journey from death to birth
Should I die again?
Should I die around the pounds of matter wailing through space?
I know I'll never know until I come face to face
With my own cold, dead face
with my own wooden case
Estou farto de me repetir.
Como se as minhas palavras não tivessem significado. Como se fossem apenas murmúrios que o vento leva enquanto caminho. Meras palavras sem valor.
Sinto-me um peão mas dentro de mim existo. Sei que não me ouvem e que não me vêem e que apenas eu me conheço e sinto. É a única certeza que tenho, mesmo que não me agrade. Sei que poderia dizer e fazer muita coisa, mas à primeira vista nada teria significado ou então seria entendido da forma que cada um pretende entender. Porque toda a vida foi assim.
Tudo se agrava sem razão aparente. Sente-se apenas um crescendo de emoções tão intensas que chegam a sufocar. Emoções que me rasgam por dentro, que me consomem dia e noite mesmo quando parecem prestes a adormecer. A apatia é quebrada por uma onda de sentimentos que me afoga diariamente e me ameaça implodir. Até conforto apático me escapa.
Restam pequenos murmúrios que revelam a dor de uma criatura que já não vive. Murmúrios que se tornaram tão comuns que hoje são tomados como apenas simples murmúrios. Quando são tudo aquilo que sou e sinto. Quando são a mágoa e a apatia. Por tudo aquilo que meus olhos assistiram e que meu ser sentiu. Por uma voz que se silenciou, um olhar que morreu, um sorriso que desapareceu, uma vida que se perdeu.
Desde que perdi a inocência até hoje, fui perdendo tudo.
Tudo esvaneceu e doeu. Ainda dói quando nos apercebemos disso. Quando reparamos no que tivemos. Do ser que fomos e (não) somos. Das vezes que dissemos que não podia piorar mais. Mas existe sempre mais uma maneira.
E resta também a solidão. Presente nas pequenas pedras da calçada numa noite chuvosa, nas folhas que o vento nas árvores agita. Presente numa cidade cinzenta que tanto confortava como magoava. Resta a solidão que me envolve, que numa noite chuvosa naquele lugar mágico, mantinha-me imóvel, por choque ou pânico do que me apercebia naquele momento que já nem me confortava. Numa vontade de abandonar tudo o que conheço, sinto-me preso naqueles longos segundos, o cigarro sozinho se vai queimando e com o olhar morto no chão o peso no peito aumenta à medida que a chuva cai. Por tudo aquilo que não somos e não temos.
Como um amigo meu gostava de me cantar, a vida é sempre a perder.
terça-feira, outubro 04, 2005
Doce, suave e inocente
E mais um longo suspiro é interrompido por uma voz.
Doce, suave e inocente.
Como um feitiço para os meus ouvidos que desde sempre ansiaram por uma voz que me diga a mais simples das frases. Que me confesse todos os seus enigmas. Que apenas me peça compreensão.
Dois corpos deitados no chão, numa noite em que as ruas tristes da cidade se envolveram num nevoeiro sombrio, criam uma ligação, em pleno silêncio. Nada no mundo existe a não ser aquele momento que será lembrado como o momento que duas pessoas sentiram uma liberdade única.
Porque tudo o resto parou de existir e apenas aquele espaço é real.
Onde existem dois corpos que fixam o olhar no céu estrelado, numa busca por uma liberdade incompreensível.
Apenas uma busca pela liberdade extrema, presente em momentos tão simples mas os únicos em que a liberdade é tanta nos invade. Sem qualquer tipo de tempo para pensar no que aconteceu no passado ou no que fazer de seguida. Um momento único que aliena tudo o resto e apenas permanece a fantasia que as duas pessoas presenciam e em que vivem.
Não crescem sorrisos, somente uma bolha de conforto dentro dos dois.
Porque ambos querem vida.
Sejam deitados numa madrugada em plena praça deserta.
Sentados na margem do rio numa floresta durante a noite.
Caminhando sem rumo nas ruas estreitas de uma cidade desconhecida.
Dormindo em estações de comboio sem ter que apanhar seja que comboio for.
São momentos para aqueles que procuram algo por encontrar.
São momentos que poucos entendem.
São momentos a que nunca tivemos direito.
Onde a apatia dança à nossa volta.
Onde o nosso ser se sente completo.
Por sabermos que presenciámos algo único.
Onde uma liberdade juvenil é vivida sem limites abençoando tudo aquilo que somos.
Doce, suave e inocente.
Como um feitiço para os meus ouvidos que desde sempre ansiaram por uma voz que me diga a mais simples das frases. Que me confesse todos os seus enigmas. Que apenas me peça compreensão.
Dois corpos deitados no chão, numa noite em que as ruas tristes da cidade se envolveram num nevoeiro sombrio, criam uma ligação, em pleno silêncio. Nada no mundo existe a não ser aquele momento que será lembrado como o momento que duas pessoas sentiram uma liberdade única.
Porque tudo o resto parou de existir e apenas aquele espaço é real.
Onde existem dois corpos que fixam o olhar no céu estrelado, numa busca por uma liberdade incompreensível.
Apenas uma busca pela liberdade extrema, presente em momentos tão simples mas os únicos em que a liberdade é tanta nos invade. Sem qualquer tipo de tempo para pensar no que aconteceu no passado ou no que fazer de seguida. Um momento único que aliena tudo o resto e apenas permanece a fantasia que as duas pessoas presenciam e em que vivem.
Não crescem sorrisos, somente uma bolha de conforto dentro dos dois.
Porque ambos querem vida.
Sejam deitados numa madrugada em plena praça deserta.
Sentados na margem do rio numa floresta durante a noite.
Caminhando sem rumo nas ruas estreitas de uma cidade desconhecida.
Dormindo em estações de comboio sem ter que apanhar seja que comboio for.
São momentos para aqueles que procuram algo por encontrar.
São momentos que poucos entendem.
São momentos a que nunca tivemos direito.
Onde a apatia dança à nossa volta.
Onde o nosso ser se sente completo.
Por sabermos que presenciámos algo único.
Onde uma liberdade juvenil é vivida sem limites abençoando tudo aquilo que somos.
domingo, setembro 25, 2005
E para além da solidão...
Não entendo porque continuo a acordar para sentir o meu tempo a passar como sinto.
Não existe qualquer tipo de razão para que queira acordar para sentir um misto de sensações que se resumem a um completo isolamento dentro de mim mesmo. Porque existe um fio de raciocínio que teima em me atormentar, como se me sussurrasse, que perdi um pedaço de mim. Um pedaço que guardara todas as minhas certezas, todos os meus sonhos, toda a minha vontade de viver. Um pedaço existencial que deixou espaço para que todas as minhas incertezas, todos os meus medos e desassossegos, toda a minha veia de apatia, se alimentassem de mim mesmo.
Vivo os meus medos em silêncio, num sossego penoso que corrói cada vez mais quem se encontra isolado de um mundo que não lhe diz nada.
Vivo a minha dor numa paz insuportável que depois de sentida e intimamente chorada, se transforma na apatia que me faz vaguear com um olhar morto.
Entre um cigarro e outro, sentado num passeio, queima-se o tempo que vemos passar por nós, enquanto que nós, apenas observámos tudo aquilo que mais ninguém tem tempo de observar. Porque nestes momentos dispensam-se sorrisos, dispensam-se choros, dispensa-se qualquer tipo de emoção. Permanece apenas um ser destruído pelo passado que o vive sempre que ouve o seu pensamento.
Um ser que hoje nada tem a oferecer a não ser palavras que a si mesmo as sussurra. Alguém que toda a gente olha mas que ninguém vê. Enquanto o meu olhar se prende no vazio, confesso a mim mesmo que me perdi.
Além da solidão, existe algo em mim que não encontro e dói.
Nem mesmo no meu período de sono encontro a serenidade que procuro. Porque é nesse momento em que me visitam todas as pessoas que já se afastaram de mim. Algumas que partiram porque não aguentavam mais um suspiro, outras porque estava na vontade delas partirem. Visito lugares que nunca conheci e escuto esta mesma melodia de fundo enquanto me confessam memórias escondidas no meu subconsciente.
Essa é uma das primeiras memórias tuas que tenho.
Os nossos olhares que mal se cruzavam (por passarem tempo demais pousados no chão), as poucas palavras e os pequenos sorrisos que tanto me faziam corar...tudo isso era bom e doloroso ao mesmo tempo, porque parecia sempre presente o "e se...?".Mas quando as nossas mãos se encontraram, tudo fez sentido. Era aquilo. Amor, finalmente. Horas a fio em que as nossas mãos brincavam uma com a outra. Os arrepios e os sorrisos que o encontro das nossas mãos nos traziam.Os arrepios e sorrisos que as nossas mãos unidas ainda nos trazem, tanto tempo depois. E as palavras que guardamos nas nossas mãos, são tantas...Não sei se sabes, mas quando sinto o mundo a cair-me em cima, quando acho que tudo está errado, quando me sinto um erro...basta dar-mos as mãos e fugir-mos juntos, sem ninguém saber.
É só mais uma razão, para quando acordar, sentir o vazio crescer em mim por tudo aquilo que me foi roubado, por tudo aquilo que tive e fui que me foi levado por um beijo que ouvi.
É só mais uma razão, para quando esteja em mais uma noite sem dormir, observando pela janela o nevoeiro de uma manhã que começa a surgir, sentir que estou mais sozinho do que alguma vez possa ter imaginado.
E para além da solidão, existe algo em mim que não encontro e dói.
Não existe qualquer tipo de razão para que queira acordar para sentir um misto de sensações que se resumem a um completo isolamento dentro de mim mesmo. Porque existe um fio de raciocínio que teima em me atormentar, como se me sussurrasse, que perdi um pedaço de mim. Um pedaço que guardara todas as minhas certezas, todos os meus sonhos, toda a minha vontade de viver. Um pedaço existencial que deixou espaço para que todas as minhas incertezas, todos os meus medos e desassossegos, toda a minha veia de apatia, se alimentassem de mim mesmo.
Vivo os meus medos em silêncio, num sossego penoso que corrói cada vez mais quem se encontra isolado de um mundo que não lhe diz nada.
Vivo a minha dor numa paz insuportável que depois de sentida e intimamente chorada, se transforma na apatia que me faz vaguear com um olhar morto.
Entre um cigarro e outro, sentado num passeio, queima-se o tempo que vemos passar por nós, enquanto que nós, apenas observámos tudo aquilo que mais ninguém tem tempo de observar. Porque nestes momentos dispensam-se sorrisos, dispensam-se choros, dispensa-se qualquer tipo de emoção. Permanece apenas um ser destruído pelo passado que o vive sempre que ouve o seu pensamento.
Um ser que hoje nada tem a oferecer a não ser palavras que a si mesmo as sussurra. Alguém que toda a gente olha mas que ninguém vê. Enquanto o meu olhar se prende no vazio, confesso a mim mesmo que me perdi.
Além da solidão, existe algo em mim que não encontro e dói.
Nem mesmo no meu período de sono encontro a serenidade que procuro. Porque é nesse momento em que me visitam todas as pessoas que já se afastaram de mim. Algumas que partiram porque não aguentavam mais um suspiro, outras porque estava na vontade delas partirem. Visito lugares que nunca conheci e escuto esta mesma melodia de fundo enquanto me confessam memórias escondidas no meu subconsciente.
Essa é uma das primeiras memórias tuas que tenho.
Os nossos olhares que mal se cruzavam (por passarem tempo demais pousados no chão), as poucas palavras e os pequenos sorrisos que tanto me faziam corar...tudo isso era bom e doloroso ao mesmo tempo, porque parecia sempre presente o "e se...?".Mas quando as nossas mãos se encontraram, tudo fez sentido. Era aquilo. Amor, finalmente. Horas a fio em que as nossas mãos brincavam uma com a outra. Os arrepios e os sorrisos que o encontro das nossas mãos nos traziam.Os arrepios e sorrisos que as nossas mãos unidas ainda nos trazem, tanto tempo depois. E as palavras que guardamos nas nossas mãos, são tantas...Não sei se sabes, mas quando sinto o mundo a cair-me em cima, quando acho que tudo está errado, quando me sinto um erro...basta dar-mos as mãos e fugir-mos juntos, sem ninguém saber.
É só mais uma razão, para quando acordar, sentir o vazio crescer em mim por tudo aquilo que me foi roubado, por tudo aquilo que tive e fui que me foi levado por um beijo que ouvi.
É só mais uma razão, para quando esteja em mais uma noite sem dormir, observando pela janela o nevoeiro de uma manhã que começa a surgir, sentir que estou mais sozinho do que alguma vez possa ter imaginado.
E para além da solidão, existe algo em mim que não encontro e dói.
quinta-feira, setembro 22, 2005
I'd be easy
I have a car waiting and I want you to come with me.
You have to come, now.
You can go, you can get out of here.
No one’s here, you can go…
I’d be easy…
If you stay here you’re just gonna…
Quero uma Kim Gordon na minha vida.
You have to come, now.
You can go, you can get out of here.
No one’s here, you can go…
I’d be easy…
If you stay here you’re just gonna…
Quero uma Kim Gordon na minha vida.
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