Ok, i'm high.
I just don't what to with myself.
It is almost 5.am and I just feel everything around me spinning and i'm loving it. By the way, i'm not in the fuckin mood to write in my mother language and i'm just making stupid errors in every fuckin word. But it's ok, i'm correct it right away.
If anyone could imagine what kind of reality expects me tomorrow, everyone would like to get high till the end of their days. I want my fuckin last days. Because I just want to dance in the rain knowing that I don't know how to dance. I just want to feel my tears from the sky and give away all the apathy that releases from my body and soul.
I lost my fuckin way to save me from myself. And I so fuckin sick and tired of me and to write fuckin in every fuckin line.
I think that I will just click on that orange button to publish this shit this and lay down on the ground laughing and crying of this entire world.
Fuckin heartbreaked junkie.
domingo, março 19, 2006
domingo, março 12, 2006
Sou este mundo abandonado que ninguém sente
A noite já tinha caído e aproximava-se uma madruga das que invadem este quarto e trazem os sussurros, a loucura e a dor de ser quem sou. Trazem as madrugadas que o tempo torna ainda mais pesadas e difíceis onde o único refúgio é estar o menos consciente possível. Mas ouvi um grito da janela ao lado desta secretária, chamando e esperando por quem aqui dentro, em si se destrói. Levam-me embora, para longe daqui, por umas horas que gostava que fossem dias, meses… Invadimos bombas de gasolina e a noite angustiante que tanto conheço, à medida que me torno menos consciente de mim mesmo, seja com que substâncias forem, a linha do tempo desaparece e apenas existe um presente constante. Os silêncios e os olhares transmitem esta angústia e esta dor que pesa cá dentro, que queima esta alma. São ditas palavras sentidas e ouvem o suficiente para entenderem a alma deste ser, gasto e auto destrutivo, sem força para esperança. O tempo ensinou-me que nunca podemos esperar aquilo que já tivemos e perdemos. São feitos silêncios que dizem tudo aquilo que as palavras não são capazes e neles sinto tudo em mim, saindo pelos meus poros sujos de tanto drenarem dor. Sou a pior droga que posso consumir.
Viajamos sem tempo ou preocupação, observo as ruelas vazias e escuras que por momentos se tornam minhas. Viajamos tentando adiar o inevitável. Envolvo-me em tudo o que me rodeia e por uns momentos sou aquele passeio velho, pisado e frio. Aquela árvore seca, imóvel, esperando o fim. Esta rua pouco iluminada, morta, com muitas histórias que ficaram por contar, que doem e se sentem constantemente. Sou este mundo abandonado que ninguém sente.
Caminhamos sem amanhã, procurando algo que ainda não conhecemos. E somos nossos no conforto deste mundo que partilhamos.
A visão distorce e as vozes afogam-se. O pensamento abranda e o corpo pede mais. A consciência perde-se e a apatia cresce. O vazio em que vivo torna-se quase indiferente nesta mente que continua revivendo vezes sem conta memorias de tempos que sempre precisou e nunca mais terá, a não ser estas noites, fugindo do que amanhã, infelizmente voltará.
Por momentos deixo de ser este ser. Esta existência que parou de existir. Esta pessoa que morreu, depois de tanta gente magoar. Esta voz no pensamento que grita e chora por tudo aquilo que se tornou.
Acabo numa divisão cheia de pó, com vodka por beber, maços de tabaco que acabaram e drogas por tomar. Uma divisão cheia de brinquedos velhos, cadeiras partidas, armários antigos e paredes que guardam a nossa dor. Uma divisão que não é usada a não ser para abraçar quem somos, mesmo que não sejamos metade do que um dia pudéssemos ter sido. Que transmite este conforto na dor de ser quem somos. Encosta-se o colchão velho a um pedaço de madeira e fazemos o nosso sofá. Permanecemos ali, em frente a uma televisão desligada ouvindo a música que torna aquela divisão velha e desarrumada num local que, entre o nosso silêncio, nos faz escapar de tudo aquilo que lá fora possa existir.
E por momentos somos nossos, sem ontem nem amanhã. As confissões são feitas e surge o conforto que tanto falta e nunca aparece, neste quarto que guarda tudo aquilo que me lembra de mim e do quanto não aguento comigo mesmo. Que guarda tudo aquilo que toda a vida possa ter feito e possa ter querido, que me possam ter feito e me possam ter dito, o que possa ter tido e hoje, desapareceu, para deixar um vazio que me consumiu. Restando apenas dentro de mim pesadelos que sempre tive medo de viver. Por tudo o que amei. Desde quem me deus à luz ao simples chão que nesta noite caminhei. Por tudo e todos aqueles que um dia possa ter magoado. E por todos os dias em mim sentir o vazio que lentamente me apoderou, matando quem na verdade nunca deveria ter começado a viver. A culpa e a angústia pela imensidade de pessoas e momentos que por mim possam ter passado e possa ter sentido levam ao desespero. Sou um nada.
As pálpebras pesam e a luz de mais um dia lentamente surge. E ali adormecemos, depois de mais uma noite que devia ser transformada na única vida que conforta, depois de tudo aquilo que possa apaixonadamente ter vivido e por isso ter morrido.
quinta-feira, março 09, 2006
Aqui deitado, tempo, existes apenas tu
A madruga chegou de novo.
Deito-me no chão deste quarto cheio de memórias de mim mesmo a fumar enquanto o olhar vazio se fixa no tecto de madeira e deixo o tempo passar-me ao lado. Não sou. Não tenho. Não consigo. Não existe. Sou um nada.
Sinto tudo morto lá fora. Aqui também. Lá foram encontram-se existências caídas no sono e nos sonhos das vidas que procuram e de algum jeito encontram. Aqui dentro encontra-se um corpo que inspira e expira instintivamente e uma mente preenchida por um vazio que impossibilita o ser de se ser. Pouco importa. Não importa. O tempo passa. O vazio permanece.
É fumada a nicotina que ajuda o tempo a passar de algum jeito sem que ele, o tempo, me viole e me deixe aqui, só, abusado e louco. É despertada a vontade que o sol não se erga por trás daquela colina e que de alguma forma estes sejam os últimos momentos de quem à muito deseja um fim que possa parecer involuntário. Os comprimidos acabaram e a droga foi levada por alguém que vertia lágrimas e dorme no quarto ao lado. A apatia existe em excesso. Sou excessivamente excessivo. Sou… não sei.
Amo tudo o que possa existir lá fora doentiamente. Até que me doa. E me traga até esta madrugada. Talvez já nem ame nada do que possa existir, por resultado do tempo que vem e tudo leva. Mesmo até quem somos.
Aqui deitado não há estrelas, nem luar, muito menos o som de um rio que rasga uma floresta que crie risos e incite a pegar na guitarra para mais um momento embaraçoso enquanto são cantadas, suavemente, palavras sentidas e tocados acordes que transmitem a dor que a voz não é capaz. Aqui deitado, apenas existe um tecto de madeira que esconde por trás todo o pó, todo o lixo que é acumulado. Bonito por fora, podre por dentro. Tectos. Existências.
Aqui deitado, tempo, existes tu e a tua infinidade de dores que aos poucos apresentas. Existe um corpo imóvel de um ser feio e podre. Exausto. Procurando o fim.
Existe um corpo…
Sem vida.
Deito-me no chão deste quarto cheio de memórias de mim mesmo a fumar enquanto o olhar vazio se fixa no tecto de madeira e deixo o tempo passar-me ao lado. Não sou. Não tenho. Não consigo. Não existe. Sou um nada.
Sinto tudo morto lá fora. Aqui também. Lá foram encontram-se existências caídas no sono e nos sonhos das vidas que procuram e de algum jeito encontram. Aqui dentro encontra-se um corpo que inspira e expira instintivamente e uma mente preenchida por um vazio que impossibilita o ser de se ser. Pouco importa. Não importa. O tempo passa. O vazio permanece.
É fumada a nicotina que ajuda o tempo a passar de algum jeito sem que ele, o tempo, me viole e me deixe aqui, só, abusado e louco. É despertada a vontade que o sol não se erga por trás daquela colina e que de alguma forma estes sejam os últimos momentos de quem à muito deseja um fim que possa parecer involuntário. Os comprimidos acabaram e a droga foi levada por alguém que vertia lágrimas e dorme no quarto ao lado. A apatia existe em excesso. Sou excessivamente excessivo. Sou… não sei.
Amo tudo o que possa existir lá fora doentiamente. Até que me doa. E me traga até esta madrugada. Talvez já nem ame nada do que possa existir, por resultado do tempo que vem e tudo leva. Mesmo até quem somos.
Aqui deitado não há estrelas, nem luar, muito menos o som de um rio que rasga uma floresta que crie risos e incite a pegar na guitarra para mais um momento embaraçoso enquanto são cantadas, suavemente, palavras sentidas e tocados acordes que transmitem a dor que a voz não é capaz. Aqui deitado, apenas existe um tecto de madeira que esconde por trás todo o pó, todo o lixo que é acumulado. Bonito por fora, podre por dentro. Tectos. Existências.
Aqui deitado, tempo, existes tu e a tua infinidade de dores que aos poucos apresentas. Existe um corpo imóvel de um ser feio e podre. Exausto. Procurando o fim.
Existe um corpo…
Sem vida.
terça-feira, março 07, 2006
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Merda! Acabei-me!!!!!!!!!
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me. Acabei-me.
Merda! Acabei-me!!!!!!!!!
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Dead inside
As palavras estão tão gastas.Cada dia é um tormento que tento sobreviver. Desde que ganho consciência da minha vida quando, ainda de olhos fechados, volto a ouvir o silêncio do meu quarto, despertando algures entre um dia que já nasceu á algum tempo. Cada dia é um tormento que aos poucos vou perdendo a força para sobreviver quando vagueio sem destino sentindo o dia a escapar entre os dedos, a vida a ser desperdiçada, os problemas e conclusões que criam este mundo de emoções angustiantes dentro de mim e não me largam um segundo que seja. E as noites solitárias que trazem o silêncio que tanto magoa e nos envolve ainda mais em nós mesmos.
Não é segredo nenhum. A minha vida fugiu-me. E fiquei eu, aqui, vazio.
Olhem para mim. Olhem para dentro de mim. Leiam a minha pobre alma que se apaga à medida que o tempo vai passando. Não trago mais nada em mim a não ser a angústia de viver, a dor de tanto em mim sofrer, a tristeza por tudo perder e o desespero por nada, nada, conseguir ter.
Tenho um choro tão puro dentro de mim que se sente bem demais neste silêncio. Um choro que não se preocupa em conter, recheado de dor. Mas que apenas faz com que o meu olhar desça até aos meus pés e force o maxilar num acto de desespero. Estou apenas a reviver em mim memórias que despedaçam este coração, só mais uma vez. O futuro não é nada mais do que mais tempo para recordar o tempo que passa. E com ele os sentimentos e emoções que em mim permanecem. A vida ficou para trás. Não há futuro sem ela.
Há um olhar morto, espelhando a inexistência de vida neste corpo. Mais tarde ou mais cedo, mais uma noite voltará e trará toda a dor e todo o sofrimento que não me larga por eu ter morrido para tudo o que possa existir. E com essa noite, voltará também mais uma manhã que trará aquele despertar tão triste e que um simples abraço à almofada não chegará para confortar. Lá fora chove, faz sol. Cá dentro morre-se, sempre.
As palavras estão tão gastas…
São mais que muitos os suspiros e as vezes que o rosto é escondido pelos braços e as mãos de alguém que tenta de algum modo esconder esta dor.
Um dia explodirei em todas as vossas mentes. Vou dar o grito que acabará com este pesadelo, e será ouvido em todas as mentes em que eu possa existir enterrado. Verão este olhar morto que tudo observa e tudo sente, como se já não tivesse visto e sentido demais.
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Leva-me embora
Leva-me embora.Fico noites inteiras à espera que a pedra bata na minha janela mas nunca apareces. Eu aqui só tenho dor, sabes muito bem. Colapso todas as noites quando entro em conflito comigo mesmo. A dor de ser quem sou não podia estar mais presente em todas as noites que aqui sozinho fico pensando em tudo aquilo que fez com que me perdesse de mim mesmo.
Deixei a escola, como tu um dia disseste que ia fazer. Sinto-me fraco demais para enfrentar os dias como eles se tornaram. Cheios de uma dor que o tempo trouxe de volta e juízos de valor por aquilo que me tornei. Já não sou metade do que fui. Perdi toda a minha vontade de ser alguém para mim mesmo. Desisti de mim quando me apercebi que tudo aquilo que um dia acreditou em mim me virou costas. Nunca devo ter merecido seja o que for. Mereço este silêncio que magoa nestas noite mortas, que trazem todos os fantasmas que assombram esta pessoa que aqui morre.
Não tenho futuro. Tudo me deixou para trás e com isso sou incapaz de acreditar em tudo o que me possa salvar. Os meus dias tornaram-se em sonos profundos e as noites em horas de solidão acompanhadas de cigarros até que o sol nasça novamente. Mas acabo sempre por ouvir os gritos que se dão fora deste quarto. São por mim. Esta descendência nunca irá vingar. Aos poucos a minha dor alimenta-se de ela mesma ao ponto de não me querer sentir mais uma vez. Sinto-me tão farto de mim mesmo. Leva-me embora daqui, por favor. Até mesmo as ruas desta cidade se tornaram familiares demais. Que prazer tenho eu em visitar sítios que conheço melhor que eu mesmo? Sempre disseste que mais tarde ou mais cedo eu iria chegar à conclusão de quem realmente sou. Tinhas razão. Sou simplesmente alguém que não merece nada a não ser o ódio por ele mesmo. Ódio.
Ódio. Dor. Por tudo aquilo que eu já senti e entre os dedos escapou. Tudo aquilo que levou quem era e me deixou sem saber quem sou. É por isso que te peço, leva-me embora. Roubei o pouco dinheiro que havia em casa e tenho duas trocas de roupa. Se não vieres comigo vou eu sozinho. Quero ir por estradas secundárias, cortando Serras, aldeias e pequenas ou grandes cidades. Não quero proferir uma palavra que seja. Viajar. Só viajar. Quero deixar toda a dor que me atinge neste quarto, ouve-me, por favor. Levo comigo apenas a dor que em mim permanecer e espero deixá-la pelos locais que visitar, que com as pessoas que conheça arranje maneira de a esquecer. E não precisámos de voltar. Comemos pequenas refeições para alimentar, de vez em quando comprámos álcool para rir e dormimos em becos sem aborrecer ninguém.
Eu só quero fugir de mim mesmo e do que vida me trouxe. Do nada que me espera e da angústia que comigo mora. Por tudo aquilo que me perderia em lágrimas se tentasse explicar mais uma vez como já o fiz a mim mesmo vezes sem conta. Quando a nossa existência nos dói, algo está muito mal. Quando somos motivo de vergonha, quando não temos futuro, quando somos abandonados, quando não conseguimos voltar a sentir de novo, quando passámos noites tão solitárias que nos matam aos poucos, quando não encontrámos prazer em seja o que for, quando sentimos que não pertencemos onde estamos, quando sabemos que nada em nós irá mudar… por favor…
Eu sei que não me conheces de lado nenhum, mas leva-me embora.
E não precisámos de voltar. Eu só quero é viajar. Viajar.
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
terça-feira, fevereiro 07, 2006
vazio
Apetece-me chorar.
A cidade já dorme e apenas eu continuo aqui a drenar dor. O peito está tão pesado que as lágrimas custam a sair, o corpo treme e os monólogos dentro de mim não param. Eu não sou o único neste mundo mas estou só. Aqui e em mim, sou o único. Não tenho ambições, não tenho objectivos, não tenho esperança, não tenho vida e as primeiras lágrimas banham o rosto. 20 anos. Cala-te. Não me quero consciente. Tenho que me drogar.
Não tenho rumo nem motivações. Apenas a de colocar um ponto final em mim mesmo para que não me volte a ser novamente.
Fevereiro já chegou meu amor.
Meu amor, meu amor, meu amor…
Meu amor!
É tão doloroso amar fora de tempo.
A sinfonia toca no vácuo.
É tão frustrante viver num mundo que não me diz nada.
Já ardi tanto dentro de mim.
Tanto sentimento em tão poucas palavras, “meu amor”.
As lágrimas não param por nada do que possa existir.
Elas são dor simplesmente.
Gota a gota.
Um pensamento.
Um grito silencioso.
Quero-me deitar no chão de braços abertos e dormir, dormir, dormir. Não quero acordar mais uma vez para voltar a mim mesmo de novo. Ouço os meus ais cá dentro, como um choro de uma criança. Ai… que desespero… Não aguento.
Quero um grito que se ouça em todas as mentes que me conhecem. Sintam-no.
As existências apagam-se mas a vida continua.
…
…
…
O sol amanhã volta para quem acordar.
A cidade já dorme e apenas eu continuo aqui a drenar dor. O peito está tão pesado que as lágrimas custam a sair, o corpo treme e os monólogos dentro de mim não param. Eu não sou o único neste mundo mas estou só. Aqui e em mim, sou o único. Não tenho ambições, não tenho objectivos, não tenho esperança, não tenho vida e as primeiras lágrimas banham o rosto. 20 anos. Cala-te. Não me quero consciente. Tenho que me drogar.
Não tenho rumo nem motivações. Apenas a de colocar um ponto final em mim mesmo para que não me volte a ser novamente.
Fevereiro já chegou meu amor.
Meu amor, meu amor, meu amor…
Meu amor!
É tão doloroso amar fora de tempo.
A sinfonia toca no vácuo.
É tão frustrante viver num mundo que não me diz nada.
Já ardi tanto dentro de mim.
Tanto sentimento em tão poucas palavras, “meu amor”.
As lágrimas não param por nada do que possa existir.
Elas são dor simplesmente.
Gota a gota.
Um pensamento.
Um grito silencioso.
Quero-me deitar no chão de braços abertos e dormir, dormir, dormir. Não quero acordar mais uma vez para voltar a mim mesmo de novo. Ouço os meus ais cá dentro, como um choro de uma criança. Ai… que desespero… Não aguento.
Quero um grito que se ouça em todas as mentes que me conhecem. Sintam-no.
As existências apagam-se mas a vida continua.
…
…
…
O sol amanhã volta para quem acordar.
domingo, fevereiro 05, 2006
Sonho
Estavas diferente. Olhavas para mim com uma cara tão triste.
Sem que te fizesse qualquer pergunta e tu prestes a soltar lágrimas, disseste que estavas mais gorda e que eu não ia gostar mais de ti. E eu abraçando-te com um pequeno riso que negava qualquer um dos teus medos, repetia mais uma vez junto ao teu ouvido que te ia querer, seja de que forma fosse.
Mas… eu nem te tenho.
Sem que te fizesse qualquer pergunta e tu prestes a soltar lágrimas, disseste que estavas mais gorda e que eu não ia gostar mais de ti. E eu abraçando-te com um pequeno riso que negava qualquer um dos teus medos, repetia mais uma vez junto ao teu ouvido que te ia querer, seja de que forma fosse.
Mas… eu nem te tenho.
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
sábado, janeiro 28, 2006
Hot chocolate and cigarettes
Deixei secar as lágrimas e sai porta fora sem destino.Viajo de autocarro entre desconhecidos que evitam sentar-se ao meu lado e sem que dê por isso, dou comigo fora do autocarro, no meio da cidade, observando o vazio. Acendo um cigarro e sigo sem rumo. Os músicos de rua são sempre os mesmos e já me abordam sorridentes, pedindo um cigarro, espalhando o conforto da apatia. Perdi algures a vontade de fugir com eles.
Abstraio-me do que me cerca e concentro-me nos distantes sons citadinos que mais parecem uma fita que é tocada vezes sem conta sem que quem caminha na rua se aperceba, tal a pressa de viver. Dirijo-me ao mesmo café de sempre e peço um chocolate quente e é com ele que me sento sozinho numa mesa enquanto que à minha volta várias pessoas se sentam, levantam e conversam. Acendo mais um cigarro enquanto bebo o chocolate lentamente e olho para a cadeira vazia à minha frente. Sinto a falta de quem não está nem nunca lá esteve. A solidão invade-me quando me apercebo que assim como vários velhos que se sentam em mesas ao meu lado abandonam as suas casas em mais uma tarde para passarem num local que se possam sentir menos sozinhos, também eu abandono aquilo que teimo em chamar casa para queimar cigarros nas ruas que se encontram fora deste café. E sinto que não me resta vida, como sinto quando olho os velhos nos olhos. Mesmo ali, continuo sozinho. Sinto que não há ninguém. A cadeira está vazia e continua enquanto queimo tempo e tabaco esperando por algo ou alguém que nunca chega. A sensação de abandono traz com ela a velha angústia que tanto corrói. Aparece o desespero de uma vida indesejada, sem rumo e solitária. Tantos sorrisos que neste momento se esboçam pelo mundo fora. Fugiram-me aqueles que me eram dados. Arde! Acendo mais um cigarro e perco-me numa viagem introspectiva. Encontro a dor de existir. Não tenho nada para além de tempo para matar e cigarros para fumar, o chocolate quente já acabou. Aqueceu o Inverno que há em mim e adoçou a amargura do meu olhar por breves instantes, nada mais. O mundo gira enquanto que a outra cadeira me faz sentir a falta de tudo aquilo que não tenho. Deixo os minutos passar por mim naquele lugar em que as vozes se sobrepõem umas nas outras num som quase insuportável. Pergunto a mim mesmo o que fui e o que tive até hoje para tentar descobrir quem sou e o que tenho. Hoje sou alguém que se senta numa mesa de café a deixar o tempo passar, sem o conforto de sentir as suas inspirações e expirações automatizadas.
Abandono o café e piso a calçada de granito que me leva à livraria para ler as páginas de quem gostaria de ter conhecido se tivesse vivido quatro décadas antes. Viajaria com ele se ele assim o quisesse como tanto ele fez e partilharia a visão do mundo que aqueles que julgam pensar nunca irão ter. E depois de ler tantas páginas de quem me mostra um mundo que nunca irei conhecer saio para estas ruas, com algo no olhar que faz com quem se cruze comigo me olhe com outro olhar. Talvez leve raiva, angústia, talvez algo indefinível e abstracto para quem me olha nos olhos e me vê caminhar sem vida.
Por isso caminho novamente entre esta multidão, de cigarro e caderno na mão, dando volta a quarteirões, tentando descobrir um beco para que mais tarde possa descansar. Cruzo-me com velhos magros com óculos e bigode, de fato e chapéu que por segundos confundo com Fernando Pessoa a caminho de um bar para tomar absinto até que me sento no chão encostado a uma parede numa ruela qualquer para acabar o cigarro.
E aí, enquanto observo o azul do céu a desaparecer num crepúsculo admirável, ouço os passos da pouca gente que se cruza por quem se sente tão deslocado do mundo que observa. No vidro ao meu lado vejo o reflexo de alguém sentado no chão, com o cabelo a cobrir o rosto, com a sua camisa velha e calças rasgadas, passando por ele sombras que caminham deixando o eco dos passos neste beco deserto. Vejo alguém que não se vê em lado nenhum, nem mesmo dentro dele mesmo. Abre-se apenas o caderno para escrever mais uma cena deste grande teatro.
domingo, janeiro 22, 2006
Suicídio em Fevereiro
Tudo começou com um simples plano alimentado por uma alma perdida, mesmo já sendo um fantasma do que fui.Não há nada nem ninguém que nos chegue ao coração pela simples vontade de querer lá chegar. Não há lágrima que preencha o vazio que invade o peito quando menos se espera. Nenhuma lágrima irá fazer com que amanhã acorde numa outra realidade. Mesmo assim, estas lágrimas não param de ser choradas.
Porque a dor é imensa, demasiada para continuar, como se o coração estivesse a ser esmagado pela mão que não conseguimos ver. Abstrai de tudo o que rodeia, o local, o tempo. Apenas corrói dentro de mim a dor e o desespero, no limite da loucura. Faz com que o corpo trema descontroladamente até que o sono chegue ou as lágrimas descansem por uns minutos.
Tenho a vida desfeita em pedaços que me abatem ainda mais sempre que observo como realmente perdi tudo o que tinha. Talvez tenha amado tudo de uma maneira como nunca antes algo fora amado, porque consegui com que hoje apenas me restem as lamúrias de quem um dia sorriu em sentir uma vida pela frente. Amo demais para deixar de amar. E dói… mata! Sentir um fim no infinito.
Sentir que nunca mais terei a felicidade que morou em mim é a maior frustração que posso sentir, superando a de saber que todos os dias que chegam até mim sucessivamente são um desperdício de tempo, que desaponto e desiludo todos aqueles que me rodeiam, que todos os dias acordo cada vez mais na esperança de hoje adormecer de vez… Sinto-me completamente destruído, destruindo ainda mais o que tento encontrar.
Já não existo nas mentes que me conheceram, se o faço, apenas magoo ou desiludo de tal maneira que me possui uma angústia que me faz querer explodir.
Sou um mero fantasma do que fui! Existo para assombrar o presente de quem me deixou no passado e por isso vagueio sem destino em ruas que não conheço, com a vontade de nunca mais voltar.
A minha ausência não seria mais nada do que um novo espaço a completar. Nunca mais sentiria a culpa de ser quem sou.
E é tão fácil desaparecer… que seria errado não o fazer. Tudo será melhor sem alguém que continue a desiludir quem criou e educou com suor e lágrimas, que continue magoando tudo e todos aqueles que merecem viver. Morrerá a mente drogada e louca, para o bem de todos que merecem. Pondo fim a esta vida de solidão e angústia.
Voltarei em Fevereiro até que o infinito o permita, como alma penada, ecoando o meu ultimo choro nas ruas e becos da cidade assustando quem vive, para caminhar a ultima caminhada que se aproxima.
quinta-feira, janeiro 19, 2006
Onde está a minha mente?
Dói-me o estômago.Encontro-me numa serenidade angustiante enquanto caminho por estas ruas, talvez todos os que me rodeiam carregam a sua dor à sua maneira. Trago no meu rosto as marcas de quem sou sem que ninguém se aperceba, no meio desta multidão de corpos que seguem a sua rota. Estou sozinho entre vocês, aqueles que caminham com esperança e ignorância nesta vida que pensam viver. Existe um enorme vazio aqui. Conseguimos ser tão cegos. Paro entre as ruas velhas que se fartam de ser usadas por quem não as vê e tudo fica silencioso. Paro de ouvir os passos que continuam a ser dados, o som dos automóveis que continuam a passar, as buzinas que ao longe continuam a apitar e apenas consigo ouvir a minha longa e cansada respiração, como se o tempo abrandasse e eu, intemporal, existisse. Mesmo as minhas pálpebras se fecham lentamente e o fio de fumo que sai do cigarro parece uma simples linha que se distorce lentamente no ar.
Invade-me uma espécie de arrependimento por tudo aquilo que sou, como outrora acontecia sempre que as minhas pupilas dilatavam pela distância em que a minha mente se encontrava. Chego à conclusão que existe vida para além daquilo que possamos ter e ser porque o tempo não tem dono e não espera por nós. E perder o fio à meada ganha um novo significado. Enquanto que os vossos passos lentamente continuam a ser dados, as asas dos pássaros ao longe lentamente continuam a bater e os vossos olhares demorem mais tempo a desviarem-se de mim, queima-se angustiosamente o tempo. É-me doloroso sentir a impossibilidade de viver no que tenho e sou quando estou consciente que nada me entusiasma para além da sua frágil existência. Perco a habilidade que sempre tive de amar desde um pedaço de chão que um desconhecido calca até a nuvem que faz com que a chuva numa noite de Inverno me caia em cima, quando me apercebo que não existo em sincronia com tudo o que me rodeia. Perco a tendência que outrora fez parte de mim, de sentir uma empatia espontânea por tudo o que existe, mesmo que não me diga respeito, como as pessoas que nunca chegarei a conhecer ou mesmo os locais que nunca irei visitar.
Sinto-me farto de repetir as mesmas palavras e estados de espírito dentro de mim mesmo quando sei que para muitos de vocês é tão fácil viver. É frustrante como conseguimos sentir o nosso fim sem que possamos fazer qualquer coisa. E a última coisa que consigo ignorar é aquilo que mais certo temos, o fim. Não vale a pena exteriorizar este pensamento a quem vê a vida como mais lhe convém e ignora a realidade como ela é, por muito que pensem que são conscientes do que é viver. Viver é sentir, sofrer, amar, sorrir, chorar, correr, dançar, caminhar, fornicar mas nunca sonhar. Mas quando se escapa a capacidade e a motivação de escalar esta montanha até ao cume, somos invadidos por fantasmas que criamos ao longo deste tempo dentro de nós. Porque nem todas as existências são sinónimo de viver, por mais triste que isso seja.
É difícil carregar o peso do mundo ás costas para quem nunca foi suficientemente forte para se aguentar a si mesmo. É preciso algo que não tenho, algo que já nem sei o que é.
E vocês, que observo nestas ruas e que se dirigem aos seus destinos, não vos desejo mais do que aquilo que merecem. Desejar é sonhar.
Levanto a cabeça para este céu incrivelmente azul e tento encontrar mais uma vez tudo aquilo que não tenho, mesmo sabendo que é apenas mais uma vez que me apercebo de como não sou nada.
segunda-feira, janeiro 16, 2006
Durmam, adormecidos!
Quero-me inteiro, completo, por mais difícil que isso hoje possa parecer.
Estou perdido em cada beco da minha cidade. Cruzo-me comigo mesmo à medida que vou descendo e subindo as pequenas ruelas. Vejo-me sentado no chão, encolhido e ofegante, pronto a explodir e tento acelerar o passo nestas ruas assombradas. Ouço gemidos que rapidamente se tornam num grito que desaparece num segundo, de quem se encontra instável e desequilibrado, numa dor solitária e corrosiva. Vejo-me em cada beco. Em cada beco! Sentado, baloiçando o tronco lentamente, com um olhar enlouquecido e distante, murmurando palavras à sua mente que teima em gritar desassossegos. Em cada beco! Olho-me com um olhar fixo e assustador, como se fosse outra pessoa que me olhasse. Corro com o coração aos pulos e os gemidos que parecem entranhar-se na minha mente. Corro ofegante e apavorado, como se estivessem a poucos metros de mim dezenas de seres seguindo-me com um sorriso lunático estampado na face.
Não me quero como sou. Nem me quero como sou. Já disse que não aguento mais. Não aguento mais. Não me quero! Não me quero! Não me quero! Não me quero! Desaparece! Vais comigo.
Tenta, tenta. Então?
Não me quero.
Sabes que não te queres, mata-me. Força!
Não me quero!
Modo fac!
Delírio, alucinação… aaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Levo-me à loucura.
Annie Lennox, Brian Warner, porquê?!
Já não dependo de mim próprio. Ajuda-me!
Ataco-me vezes sem conta, procurando-me mais uma vez. São intermináveis as vezes que caio desamparado no abismo da angústia que me persegue. Por muito que eu diga, por muito que eu grite, por muito que eu chore, por muito que eu sofra, por muito que eu grite chorando, nada muda. Nada muda.
Hoje sou menos que ontem e mais do que amanhã.
Estou perdido em cada beco da minha cidade. Cruzo-me comigo mesmo à medida que vou descendo e subindo as pequenas ruelas. Vejo-me sentado no chão, encolhido e ofegante, pronto a explodir e tento acelerar o passo nestas ruas assombradas. Ouço gemidos que rapidamente se tornam num grito que desaparece num segundo, de quem se encontra instável e desequilibrado, numa dor solitária e corrosiva. Vejo-me em cada beco. Em cada beco! Sentado, baloiçando o tronco lentamente, com um olhar enlouquecido e distante, murmurando palavras à sua mente que teima em gritar desassossegos. Em cada beco! Olho-me com um olhar fixo e assustador, como se fosse outra pessoa que me olhasse. Corro com o coração aos pulos e os gemidos que parecem entranhar-se na minha mente. Corro ofegante e apavorado, como se estivessem a poucos metros de mim dezenas de seres seguindo-me com um sorriso lunático estampado na face.
Não me quero como sou. Nem me quero como sou. Já disse que não aguento mais. Não aguento mais. Não me quero! Não me quero! Não me quero! Não me quero! Desaparece! Vais comigo.
Tenta, tenta. Então?
Não me quero.
Sabes que não te queres, mata-me. Força!
Não me quero!
Modo fac!
Delírio, alucinação… aaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Levo-me à loucura.
Annie Lennox, Brian Warner, porquê?!
Já não dependo de mim próprio. Ajuda-me!
Ataco-me vezes sem conta, procurando-me mais uma vez. São intermináveis as vezes que caio desamparado no abismo da angústia que me persegue. Por muito que eu diga, por muito que eu grite, por muito que eu chore, por muito que eu sofra, por muito que eu grite chorando, nada muda. Nada muda.
Hoje sou menos que ontem e mais do que amanhã.
quinta-feira, janeiro 12, 2006
Confissão
Dói-me.
Por muito que eu queira erguer e caminhar acabo sempre por cair e sofrer. E sabendo isso, deixo-me ficar aqui, de olhos húmidos, sentindo a dor do mundo que sinto e vejo. Quando sinto que o que me dava um sopro de vida, um toque suave que me fazia sentir vivo desapareceu, nada me resta a não ser a dor do abandono, dor que me deixa completamente desorientado, um aperto no peito tão forte capaz de me fazer vomitar o coração.
Talvez seja isso que tenha que fazer, vomitar o meu coração podre. Ver o que todos os apertos ao longo deste tempo todo lhe fizeram, como se aparenta usado e gasto, cansado e com apenas um pequeno fio de vida.
Não sou suficientemente forte para fazer frente a uma vida cheia de pontas afiadas e por saber isso lamento muito. Sinto que desiludi toda a gente que poderia desiludir, que destruí tudo aquilo que um dia me foi oferecido, que quebrei todas as regras que outrora me ensinaram, que me perdi tentando entender e viver a vida que me deveria fazer sentir vivo. Não sinto a emoção de viver que muita gente possa sentir. Não me assusto por saber que confesso a mim mesmo como não me importaria de desaparecer amanhã. Talvez a vida me tenha tornado amargo, talvez de tanto apertarem o meu pobre coração, levaram a força de viver e deixaram um sussurro por uma paz inalcançável.
Apenas encontro vida em pequenos bebés que me olham fixamente quando viajo no autocarro, encontro de tal modo que me faz viajar ao tempo em que tudo ainda não tinha perdido o seu encanto, quando tudo era uma aventura e os dias, hoje, pareciam mais longos, vividos ao limite, com riso, correria, descobertas… Desde que descobri para que serve o meu pénis perdi a inocência. Os dias são como todos os outros. E todo aquele tempo parece motivo de vergonha ao relembrar.
Acho que hoje em dia, com percepções diferentes de tudo aquilo o que me rodeia, perdi o interesse. Perdi-o porque me sinto sozinho e sem vontade de viver. Perdi-o porque tudo parece cinzento e não há quem existiu para espalhar cor à minha tela, como o fizeram na perfeição. Decidiram observar-me de longe, por mais doloroso que isso seja. Decidiram desistir do que um dia acreditaram, deixando-me de olhos fechados à espera de um beijo que não chegou a ser dado. O beijo que não seria apenas uma junção de lábios, mas sim um acto de amor, de carinho que traria uma mensagem como, eu trato de ti, não te preocupes, quero-te, não te deixarei cair, serás sempre meu. O beijo traria um mundo de emoções e promessas que coloriam o meu mundo cinzento. Seria a razão para acordar pela manhã com um sorriso, caminhar na chuva sem preocupação e iria criar o escudo de tudo aquilo que hoje me atinge com toda a sua força. Perdi muita coisa.
Hoje não sou alguém, porque se fosse ninguém seria alguma coisa. Quero-me fora de mim por tudo aquilo que fiz, sou ou fui. Será possível um ser cansar-se de si mesmo? Talvez. Tudo em mim se fartou de ser, mesmo até o que nunca foi. Entendo quem um dia disse que somos o nosso pior inimigo ao confessar hoje o que sinto á tanto tempo que já não consigo determinar.
Rotinas que acabaram com a vida que parei de viver.
Rotinas de dor.
Solidão.
Apatia.
Pensamentos.
Ideias.
Conclusões.
Suposições.
Sobre mim.
Sobre tudo.
Que me confessam.
Que não me chegam a confessar.
Que me confesso.
E impludo mais uma vez.
A minha mente persegue-se a si mesma de tal modo que me cansa fisicamente. Grita consigo mesma aquilo que nenhum de nós gostaria de ouvir de si mesmo. E é apenas nestes momentos de confissão, seja com lágrimas, respirações descontroladas ou apenas um sono pesado de quem se medicou demasiado ao ponto de não se recordar do que escreveu, que exponho a minha alma de um modo para que, se amanhã não vier, hoje perdurar a última memória de quem desapareceu por não aguentar estar num mundo que parou de viver. Viverei apenas nestas palavras lidas pelo pensamento de alguém.
Por muito que eu queira erguer e caminhar acabo sempre por cair e sofrer. E sabendo isso, deixo-me ficar aqui, de olhos húmidos, sentindo a dor do mundo que sinto e vejo. Quando sinto que o que me dava um sopro de vida, um toque suave que me fazia sentir vivo desapareceu, nada me resta a não ser a dor do abandono, dor que me deixa completamente desorientado, um aperto no peito tão forte capaz de me fazer vomitar o coração.
Talvez seja isso que tenha que fazer, vomitar o meu coração podre. Ver o que todos os apertos ao longo deste tempo todo lhe fizeram, como se aparenta usado e gasto, cansado e com apenas um pequeno fio de vida.
Não sou suficientemente forte para fazer frente a uma vida cheia de pontas afiadas e por saber isso lamento muito. Sinto que desiludi toda a gente que poderia desiludir, que destruí tudo aquilo que um dia me foi oferecido, que quebrei todas as regras que outrora me ensinaram, que me perdi tentando entender e viver a vida que me deveria fazer sentir vivo. Não sinto a emoção de viver que muita gente possa sentir. Não me assusto por saber que confesso a mim mesmo como não me importaria de desaparecer amanhã. Talvez a vida me tenha tornado amargo, talvez de tanto apertarem o meu pobre coração, levaram a força de viver e deixaram um sussurro por uma paz inalcançável.
Apenas encontro vida em pequenos bebés que me olham fixamente quando viajo no autocarro, encontro de tal modo que me faz viajar ao tempo em que tudo ainda não tinha perdido o seu encanto, quando tudo era uma aventura e os dias, hoje, pareciam mais longos, vividos ao limite, com riso, correria, descobertas… Desde que descobri para que serve o meu pénis perdi a inocência. Os dias são como todos os outros. E todo aquele tempo parece motivo de vergonha ao relembrar.
Acho que hoje em dia, com percepções diferentes de tudo aquilo o que me rodeia, perdi o interesse. Perdi-o porque me sinto sozinho e sem vontade de viver. Perdi-o porque tudo parece cinzento e não há quem existiu para espalhar cor à minha tela, como o fizeram na perfeição. Decidiram observar-me de longe, por mais doloroso que isso seja. Decidiram desistir do que um dia acreditaram, deixando-me de olhos fechados à espera de um beijo que não chegou a ser dado. O beijo que não seria apenas uma junção de lábios, mas sim um acto de amor, de carinho que traria uma mensagem como, eu trato de ti, não te preocupes, quero-te, não te deixarei cair, serás sempre meu. O beijo traria um mundo de emoções e promessas que coloriam o meu mundo cinzento. Seria a razão para acordar pela manhã com um sorriso, caminhar na chuva sem preocupação e iria criar o escudo de tudo aquilo que hoje me atinge com toda a sua força. Perdi muita coisa.
Hoje não sou alguém, porque se fosse ninguém seria alguma coisa. Quero-me fora de mim por tudo aquilo que fiz, sou ou fui. Será possível um ser cansar-se de si mesmo? Talvez. Tudo em mim se fartou de ser, mesmo até o que nunca foi. Entendo quem um dia disse que somos o nosso pior inimigo ao confessar hoje o que sinto á tanto tempo que já não consigo determinar.
Rotinas que acabaram com a vida que parei de viver.
Rotinas de dor.
Solidão.
Apatia.
Pensamentos.
Ideias.
Conclusões.
Suposições.
Sobre mim.
Sobre tudo.
Que me confessam.
Que não me chegam a confessar.
Que me confesso.
E impludo mais uma vez.
A minha mente persegue-se a si mesma de tal modo que me cansa fisicamente. Grita consigo mesma aquilo que nenhum de nós gostaria de ouvir de si mesmo. E é apenas nestes momentos de confissão, seja com lágrimas, respirações descontroladas ou apenas um sono pesado de quem se medicou demasiado ao ponto de não se recordar do que escreveu, que exponho a minha alma de um modo para que, se amanhã não vier, hoje perdurar a última memória de quem desapareceu por não aguentar estar num mundo que parou de viver. Viverei apenas nestas palavras lidas pelo pensamento de alguém.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
